Refletindo sobre Autoria e Plágio
Sandra Maria de Rezende Viana.
A base de toda construção
ética, cujo campo é a prática, se baseia nesta pressuposição: a ética surge
quando o outro emerge diante de nós. (...) e se dá conta de seus atos e das consequências
que deles derivam. (...) o outro representa uma proposta que reclama uma
resposta. Deste confronto entre proposta e resposta surge a responsabilidade.
(“...) Uma nova história então começará, com certeza, mais cooperativa,
humanitária, cuidadosa, ética e espiritual.” (Leonardo Boff, 2002).
Sabemos que o plágio tornou-se
casual no mundo das universidades, mas, o que leva um aluno a plagiar um
trabalho? Será a metodologia aplicada, será o tempo de dedicação aos estudos,
será o professor tutor?
Refletindo sobre a questão,
pensamos que plágio de um trabalho pode ser por um conjunto de
situações: dificuldades em compreender, interpretar e elaborar uma
reflexão sobre o que foi lido; não conhecimento em utilizar as normas da
ABNT, das tecnologias; falta de tempo também pode ser um indicador; não
acompanhamento do tutor, preguiça, valorização do conhecimento que reproduz a
fala do professor, necessidade de chamar atenção do tutor para o que esta
acontecendo no ambiente da discussão, dificuldade de expressar um pensamento
próprio em uma linguagem que não precisa ser necessariamente erudita, falta de
ética quando insiste em continuar plagiando, lei do menor esforço etc. Creio
que é complicado encontrarmos uma causa específica. O importante é que o tutor
com suas atribuições e responsabilidades esteja atento a estas questões que
atravessam o processo de aprendizagem e de ensino e
consiga administrá-las com fluidez, riqueza e flexibilidade.
Cada ator da EAD tem suas
responsabilidades e atribuições, dessa maneira, diálogo e a comunicação são
atitudes essenciais no processo aprendizagem-ensino. Por isso, a
importância do tutor, desde o início da disciplina estabelecer com os
estudantes um contrato didático, em que possa promover a realização de
atividades e apoiar a resolução dos alunos e não apenas mostrar a resposta
correta, bem como oferecer novas fontes de informação. À medida que o
tutor acolhe a escrita dos alunos, não apenas apontando erros, estará
ajudando-os a construírem seu texto.
O diálogo e a comunicação são
atitudes essenciais no processo aprendizagem-ensino. Diante da descoberta,
o tutor deve entrar em contato com seu aluno, em particular, explicar que o
trabalho apresentado por ele tratava-se de um plágio; questioná-lo sobre o
conteúdo ministrado; se o tempo que ele dispõe para estudar esta sendo
suficiente e propor o reenvio da tarefa.
Por isso, concordamos com Litwin
(1990, p.82) quando afirma que o "tutor deverá então aproveitar a
oportunidade presente para oferecer boas pistas para o aprofundamento do tema e
promover processos de reconstrução, começando, por exemplo, por assinalar uma
contradição" e acrescentamos que não devemos deixar as coisas
acontecerem, para depois tomarmos as providências. Afinal somos vários os
atores que participamos desta rede de formação que tem como pressuposto
uma aprendizagem acima de tudo colaborativa.
Como educadores temos como
responsabilidade mediar as atividades discentes, mas percebe-se que um
acompanhamento mais próximo algumas vezes não é suficiente para que o aluno
perceba a importância de produzir seu próprio texto.
O fórum pode e deve ser a
oportunidade para estas reflexões sobre os textos lidos. É preciso
incentivá-los, questionando, instigando- lhes a reflexão e a postagem no fórum.
Funciona bem com alguns, para outros é mais fácil ficar no ‘concordo com
fulano’, sem aprofundar a discussão. Esta é mais uma razão pela qual o tutor
deve apoiar o aluno e ser presente na distância.
A nossa função essencial é
cimentar contratos de aprendizagem pautados na confiança e na ética. Pois não
adianta nada formar eruditos de personalidade dúbia e sem caráter. Nosso papel
é de conscientização. Consideramos importante que seja estabelecido um critério
claro de avaliação e feedback frente ao plágio nas reuniões com o professor
supervisor e a equipe, repassar aos alunos de forma clara registrando, por
exemplo, na mensagem da tutoria o critério de avaliação de tal prática, assim o
aluno terá consciência do risco em que incorrerá o ato de plagiar. Além disso,
estimular a escrita reflexiva, relembrar as normas e o tema do texto, enfim,
sinalizar sempre, principalmente nos fóruns, sobre sua escrita para o aluno
sentir-se acolhido, apoiado.
Ao mostrar ao aluno que o mundo acadêmico é prescrito por normas e ética, também quanto à escrita e às diversas formas de pensamento, é possível que inverta o pensamento tão comum, ou seja, se ao aluno é apresentado tudo isso ao cometer plágio o incomodo passará a ser dele e não nosso.
Ao mostrar ao aluno que o mundo acadêmico é prescrito por normas e ética, também quanto à escrita e às diversas formas de pensamento, é possível que inverta o pensamento tão comum, ou seja, se ao aluno é apresentado tudo isso ao cometer plágio o incomodo passará a ser dele e não nosso.
Há
necessidade do desenvolvimento de competências de autonomia de conhecimento, de
leitura, de exploração do ambiente, de produção intelectual. A partir da
compreensão dessa particularidade da EAD o plágio perde todo o sentido além de
todas as implicações éticas.
Referências:
BOFF, Leonardo. Do Iceberg à Arca de Noé- O
NASCIMENTO DE UMA ÉTICA PLANETÁRIA,
Editora Garamond, Brasil, 2002, 160 páginas
LITWIN,
E. 1990. La educación a distancia:
alcances, contradicciones y paradojas, Buenos Aires, Universidade de Buenos
Aires.
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