quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


Refletindo sobre Autoria e Plágio

Sandra Maria de Rezende Viana.

A base de toda construção ética, cujo campo é a prática, se baseia nesta pressuposição: a ética surge quando o outro emerge diante de nós. (...) e se dá conta de seus atos e das consequências que deles derivam. (...) o outro representa uma proposta que reclama uma resposta. Deste confronto entre proposta e resposta surge a responsabilidade. (“...) Uma nova história então começará, com certeza, mais cooperativa, humanitária, cuidadosa, ética e espiritual.” (Leonardo Boff, 2002).


Sabemos que o plágio tornou-se casual no mundo das universidades, mas, o que leva um aluno a plagiar um trabalho? Será a metodologia aplicada, será o tempo de dedicação aos estudos, será o professor tutor?
Refletindo sobre a questão, pensamos que plágio de um trabalho pode ser por um conjunto de situações: dificuldades em compreender, interpretar e elaborar uma reflexão sobre o que foi lido; não conhecimento em utilizar as normas da ABNT, das tecnologias; falta de tempo também pode ser um indicador; não acompanhamento do tutor, preguiça, valorização do conhecimento que reproduz a fala do professor, necessidade de chamar atenção do tutor para o que esta acontecendo no ambiente da discussão, dificuldade de expressar um pensamento próprio em uma linguagem que não precisa ser necessariamente erudita, falta de ética quando insiste em continuar plagiando, lei do menor esforço etc. Creio que é complicado encontrarmos uma causa específica. O importante é que o tutor com suas atribuições e responsabilidades esteja atento a estas questões que atravessam o processo de aprendizagem e de ensino e consiga administrá-las com fluidez, riqueza e flexibilidade.
Cada ator da EAD tem suas responsabilidades e atribuições, dessa maneira, diálogo e a comunicação são atitudes essenciais no processo aprendizagem-ensino. Por isso, a importância do tutor, desde o início da disciplina estabelecer com os estudantes um contrato didático, em que possa promover a realização de atividades e apoiar a resolução dos alunos e não apenas mostrar a resposta correta, bem como oferecer novas fontes de informação. À medida que o tutor acolhe a escrita dos alunos, não apenas apontando erros, estará ajudando-os a construírem seu texto.
O diálogo e a comunicação são atitudes essenciais no processo aprendizagem-ensino. Diante da descoberta, o tutor deve entrar em contato com seu aluno, em particular, explicar que o trabalho apresentado por ele tratava-se de um plágio; questioná-lo sobre o conteúdo ministrado; se o tempo que ele dispõe para estudar esta sendo suficiente e propor o reenvio da tarefa.
Por isso, concordamos com Litwin (1990, p.82) quando afirma que o "tutor deverá então aproveitar a oportunidade presente para oferecer boas pistas para o aprofundamento do tema e promover processos de reconstrução, começando, por exemplo, por assinalar uma contradição" e acrescentamos que não devemos deixar as coisas acontecerem, para depois tomarmos as providências. Afinal somos vários os atores que participamos desta rede de formação que tem como pressuposto uma aprendizagem acima de tudo colaborativa.
Como educadores temos como responsabilidade mediar as atividades discentes, mas percebe-se que um acompanhamento mais próximo algumas vezes não é suficiente para que o aluno perceba a importância de produzir seu próprio texto.
O fórum pode e deve ser a oportunidade para estas reflexões sobre os textos lidos. É preciso incentivá-los, questionando, instigando- lhes a reflexão e a postagem no fórum. Funciona bem com alguns, para outros é mais fácil ficar no ‘concordo com fulano’, sem aprofundar a discussão. Esta é mais uma razão pela qual o tutor deve apoiar o aluno e ser presente na distância.
A nossa função essencial é cimentar contratos de aprendizagem pautados na confiança e na ética. Pois não adianta nada formar eruditos de personalidade dúbia e sem caráter. Nosso papel é de conscientização. Consideramos importante que seja estabelecido um critério claro de avaliação e feedback frente ao plágio nas reuniões com o professor supervisor e a equipe, repassar aos alunos de forma clara registrando, por exemplo, na mensagem da tutoria o critério de avaliação de tal prática, assim o aluno terá consciência do risco em que incorrerá o ato de plagiar. Além disso, estimular a escrita reflexiva, relembrar as normas e o tema do texto, enfim, sinalizar sempre, principalmente nos fóruns, sobre sua escrita para o aluno sentir-se acolhido, apoiado.

Ao mostrar ao aluno que o mundo acadêmico é prescrito por normas e ética, também quanto à escrita e às diversas formas de pensamento, é possível que inverta o pensamento tão comum, ou seja, se ao aluno é apresentado tudo isso ao cometer plágio o incomodo passará a ser dele e não nosso.
Há necessidade do desenvolvimento de competências de autonomia de conhecimento, de leitura, de exploração do ambiente, de produção intelectual. A partir da compreensão dessa particularidade da EAD o plágio perde todo o sentido além de todas as implicações éticas.


Referências:
 BOFF, Leonardo. Do Iceberg à Arca de Noé- O NASCIMENTO DE UMA ÉTICA PLANETÁRIA,  Editora Garamond, Brasil, 2002, 160 páginas
LITWIN, E.  1990. La educación a distancia: alcances, contradicciones y paradojas, Buenos Aires, Universidade de Buenos Aires.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O Uso do GoogleDocs na Educação.




            O papel da educação deve ser o de criar oportunidades, bem como levar o educando a um processo reflexivo que abra seus olhos para analisar as escolhas que fez e aquelas que ainda farão.
A tecnologia digital é parte integrante e indissociável deste processo, pelo fato de ser um espaço efetivo para: interação, aprendizagem colaborativa, disseminação de processos e resultados.
Novas necessidades vão surgindo, o mercado, por exemplo, demanda novos perfis de profissionais e tudo isso numa velocidade fantástica. É cada vez menor o espaço de tempo entre uma descoberta científica e outra.
É no campo da tecnologia da informação e das telecomunicações onde elas acontecem com maior frequência e constância. Felizmente a maioria das descobertas científicas relacionadas à tecnologia da informação e as telecomunicações impulsionam o desenvolvimento e melhoram a vida das pessoas. Novas perspectivas se abrem a cada dia, surgem novas oportunidades a cada momento. A reformulação do atual modelo de ensino tem sido uma necessidade.
           Quero iniciar este texto, dividindo com vocês minha experiência quanto ao uso desta máquina.
 Posso dizer que eu fui o protótipo da resistência no uso do computador doméstico, quanto mais da sua utilização na educação, porém sempre fui aberta a novas aprendizagens.
Um dia, em 1998, trabalhando na EAPE, perguntei ao professor do laboratório de informática se ele conhecia alguém que pudesse fazer meu imposto de renda.
 Ele me disse conheço: você. Ao que eu retruquei: Como, se não eu não sei nem ligar esse “bicho”.
Então ele disse: Está na hora de aprender. Aceitei o desafio e me apaixonei pela “nova tecnologia”, embora continue “catando milho”, pois não digito com todos os dedos.
        Neste trabalho de formação continuada que tenho desenvolvido com professores e trabalhadores em educação nos últimos 10 anos uma das áreas que tenho me dedicado é a informática educativa integrada á formação pedagógica de professores e seu uso na educação. A educação a distância foi a pérola rara na minha vida profissional.
       Acredito, pois tenho experenciado isso, que a inserção dos computadores na educação, o uso das redes sociais de interação, do Skype, Hangout, MSN e GoogleDocs,tem contribuído para a práxis pedagógica, quando são incluídas atividades que contemplam a conexão entre o conhecimento sobre as teorias educacionais às de domínio do computador, sempre com a preocupação de acompanhar a inserção e até alterar temas e modos de trabalho, de acordo com as necessidades do grupo em formação.
Dentre as citadas vou me deter em minha mais recente descoberta, o GoogleDocs, uma ferramenta tutorada pelos professores e pelos alunos, que lhes permite buscar informações forma não linear, mas sim conforme seus estilos cognitivos e interesses momentâneos. Por exemplo, na construção de um texto, permite a edição do mesmo documento por mais de um usuário e o recurso de publicação direta em blog. Torna-se fácil criar, armazenar, compartilhar e distribuir documentos de texto em vários formatos, planilhas de cálculo e apresentações de slides, possibilitando tanto o acesso a eles para leitura quanto para edição compartilhada. Nos permite também criar documentos colaborativos ou disponibilizar documentos apenas para consulta, bem como manter esses documentos com acesso restrito apenas a nós mesmos.
Na criação textos e na pesquisa, onde o usei recentemente com a colega Alessandra Lisboa, em um trabalho cientifico apresentado no TICeduca, em Lisboa em novembro de 2012, criamos por meio do GoogleDocs questionários de pesquisas, associados a uma planilha, por meio da qual realizamos análises que subsidiaram o texto do trabalho de pesquisa.
Na educação a ferramenta oportuniza de troca de saberes e a relação aprendente-aprendiz é de reciprocidade, de mútua ajuda onde colaborativamente se organizam os conhecimentos produzidos. No entanto, qualquer componente que se queira inserir na educação exige que se tenha um conhecimento de sua aplicabilidade, para definir o que é apropriado no seu emprego em termos de conteúdo, metodologia e objetivos. Inclusive, lembrando que o emprego do GoogleDocs tem características próprias que exigem soluções específicas. É dentro desse quadro que é possível pensar na ferramenta como um instrumento tecnológico que, se usado adequadamente, pode potencializar as possibilidades do aprender.
Não é o veículo que se locomove por si, não é os óculos que enxerga e não é o computador que pensa. Ferramentas auxiliam e potencializam ações humanas. E no computador, na internet, a ferramenta, somente executa, mecanicamente, uma tarefa, dentro dos limites estabelecidos da sua programação (regras exatas e detalhadas, antecipadamente fornecidas), e que, frente a uma situação não previamente programada, trava.
Na educação, estas mudanças se refletem na forma em que os alunos pesquisam e se desenvolvem e também na forma em que os professores planejam seus cursos e interagem com seus alunos.
Esse poderoso meio de comunicação e de distribuição da informação não foi projetado, no seu início, com finalidade educacional. Entretanto, como facilitadora de acesso à informação ele potencializa novas oportunidades para aprender. Recursos antes difíceis de criar no papel ou o próprio encontro presencial para produzir um trabalho conjunto, ou fazer uma pesquisa, são facilmente disponibilizados em um ambiente on-line.
O número de recursos novos, disponibilizados pela web, as ferramentas que podem ser utilizados no processo de aprendizagem, tem aumentado e a Internet tem se tornado um instrumento de uso comum. Mas usar toda essa novidade tecnológica dá trabalho.
O que isso muda na escola e na relação ensinante- aprendiz?
Muda no sentido de que temos que mudar o foco ensino aprendizagem. Muda no sentido de que o educador deve ser cada vez mais um incentivador, um provocador, um dinamizador do processo educacional. O educador deve ser também um facilitador da aprendizagem, é aquele que vai criar situações desafiadoras. Para isso ele tem que ter um embasamento teórico fundamentado.
E não é a máquina que deve determinar a formação. É cada vez mais entendendo como é que o aprendiz pensa, como é a questão da emoção, que se dará a educação. É uma visão psicopedagógica onde educador e educando aprendem juntos numa relação de Confiança.E confiar significa Fiar,TECER JUNTOS!
Sandra Viana